Índios contra hidrelétrica

Oito líderes da reserva indígena Nambikwara, situada na divisa entre Mato Grosso e Rondônia, representaram junto à Procuradoria Geral da República, em novembro de 1989, contra a construção da hidrelétrica Doze de Outubro, projetada pela empresa de construção Goes Cohabita.

A empresa era do deputado Joacy Goes, do PMDB da Bahia, na época presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Federal. A usina, localizada a cinco quilômetros da aldeia Kithãlu, foi projetada para produzir 11 megawatts, inundando 4,5 hectares dentro do território indígena, a um custo de 30 milhões de dólares.

Os direitos de exploração da usina seriam da própria Goes Cohabita. Ela se tornaria, assim, a primeira empresa privada a explorar uma hidrelétrica na Amazônia.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 09/11/1989)

Droga: menos controle

Por causa da falta de recursos, agentes e equipamentos, a Polícia Federal decidiu, em abril de 1999, fechar quatro postos de fiscalização na região de fronteira do Estado do Amazonas com os três principais produtores de drogas na América do Sul: Colômbia, Bolívia e Peru. Foram fechados os postos de Lábrea, Tefé, Eirunepé e Borba. Ficaram apenas os postos de Tabatinga e Benjamin Constant.

As fronteiras continentais brasileiras na Amazônia atingem 9.058 quilômetros, a maior parte em plena floresta, Só com a Colômbia, a fronteira se estende por 1.644 quilômetros. Em 1998 os agentes federais conseguiram apreender 600 quilos de cocaína no Estado do Amazonas.

Em março de 1999 um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) que iria para a Europa foi retido em Recife. Dentro dele havia 32 quilos de cocaínas. Foi a primeira apreensão de droga em um avião da FAB. Mas a PF já flagrara soldados da Aeronáutica e do Exército transportando um ou dois quilos de cocaína no trajeto entre Tabatinga, na fronteira com a Colômbia, e Manaus. Até então eram casos isolados.

Com o fechamento das quatro bases, esse controle iria enfraquecer.

(O Globo, Rio de Janeiro/RJ, 25/04/1999)

Kayath na Sudam

O presidente José Sarney nomeou, em 29 de março de 1985, o médico Henry Kayath para o cargo de superintendente da Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia). Logo depois, telefonou para o governador do Pará, Jader Barbalho, comunicando-lhe o ato. A indicação de Kayath havia sido feita por Barbalho. O ex-governador Alacid Nunes pretendia o cargo. Ao receber a notícia, Barbalho disse que Kayath era “um homem afinado com o governo do Estado e, evidentemente, com a proposta de incentivos fiscais”.

(O Liberal, Belém/PA, 30/03/1985)

Cocaína no Amazonas

Em setembro de 1994 a Polícia Federal apreendeu em Tefé, no Amazonas, 200 quilos de cocaína que estavam dentro de cinco malas, no interior de um avião tipo Cessna, prefixo PT-IHP, de São Paulo, pertencente ao empresário Raimundo Tupã.

No avião foram presos o piloto argentino Raul Boretto e mais Luís Henrique de Oliveira. Boretto disse que a carga fora financiada por Átila Morbach, preso em Belém, juntamente com Tupã. A droga foi adquirida diretamente dos produtores colombianos, mas não pertencia aos cartéis. Iria ser comercializada principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo.

(O Liberal, Belém/PA, 07/10/1994)

Massacre de índios no Amazonas

Cerca de 40 índios da tribo Juma, do Amazonas, foram massacrados, em abril de 1974, por um grupo de brancos comandados por Daniel Albuquerque, que depois se tornaria prefeito de Tapuá, e pelo comerciante Orlando França, representante da firma Souza Arnaud em Lábrea. Apenas oito ou 10 índios conseguiram sobreviver ao massacre e se isolaram na região do baixo rio Icuan.

A matança só foi descoberta quatro anos depois de praticada e denunciada no número cinco do jornal Porantim pelo padre Paulo Suess, secretário regional do Cimi (Conselho Indigenista Missionário) no Amazonas. Os Juma, também conhecidos como Boraha, eram um grupo arredio, cujos primeiros contatos com os brancos foram amistosos, mas se tornaram violentos por causa da disputa com os brancos por suas terras.

Na época das chuvas, os brancos penetravam nas terras indígenas para tirar sorva e quebrar castanha. Muitas vezes invadiam as casas dos índios para destruir as plantações, violar as mulheres e atirar contra os Juma, que moravam em um afluente do rio Purus. Só três anos depois do massacre nasceu a primeira criança no meio do grupo remanescente.

(O Liberal, Belém/PA, 02/11/1978)

Posseiro morto em Paragominas

No início de agosto de 1985 o lavrador Ariston Alves dos Santos, de 42 anos, foi assassinado com seis tiros em frente à sua casa, na periferia de Paragominas, no Pará. Seu nome constaria de uma lista de 27 pessoas marcadas para morrer. Ariston era posseiro da fazenda Meinara Agropecuária, na área da estrada Belém-Brasília.

Com base nessa situação, o advogado João Batista acusou o proprietário da fazenda, Henrique Meinberg, como possível mandante do crime. Batista disse que a ação teria sido organizada por um Comando Democrático Cristão, do qual também faria parte o fazendeiro Joaquim Fonseca.

Os assassinos de Ariston seriam os mesmos três homens que, dois dias antes, feriram a bala um vizinho, Raimundo. Antes, Batista também havia sofrido um atentado a bala, saindo feridos ele e o pai, Nestor Antônio Batista.

(O Liberal, Belém/PA, 05/08/1985)

Morte de líder sindical

Cerca de cinco mil pessoas participaram, em março de 1991, em Rio Maria, no sul do Pará, de um ato público de repúdio à impunidade de pistoleiros e mandantes de crimes de encomenda na região. A manifestação foi convocada por diversos sindicatos de trabalhadores rurais, entidades de direitos humanos, partidos políticos e por setores da Igreja católica, motivados pelo assassinato do líder sindical Expedito Ribeiro de Souza. Entre os presentes, os senadores Almir Gabriel, do PSDB, e Eduardo Suplicy, do PT.

(O Liberal, Belém/PA, 14/03/1991)