A ação da Rio Impex

Em abril de 1961, o deputado estadual Cléo Bernardo criticou, da tribuna da Assembleia Legislativa do Pará, a Rio Impex, estabelecida no município de Itupiranga. A empresa alemã teria obstruído o igarapé Lago Vermelho, tributário do rio Tocantins, com cerca de 700 toros de mogno, impedindo assim o escoamento de mais de mil hectolitros de castanha que seriam levados para Belém e exportados.

Esse seria mais um dos abusos praticados pela empresa contra a população da região. Já antes ela teria comprado todo o estoque de boi em pé existente no município, “controlando o preço e as condições de venda”. Também estaria se recusando a pagar os impostos lançados pela prefeitura de Itupiranga, obrigando o poder público a cobrá-los judicialmente.

(Folha do Norte, Belém/PA, 20/04/1961)

Morte diante das câmeras

No dia 26 de julho de 1985, Salvador Chamon invadiu o estúdio da TV Tocantins, em Marabá, no sul do Pará. Lá dentro, ajudado por um capanga, matou Robson José Costa Abade, de 37 anos, com seis tiros de pistola 7.65. Robson estava dando entrevista a um programa da emissora, acusando Salvador e seu irmão, José Chamon Neto, vereador e candidato a prefeito pelo PMDB à prefeitura de Marabá.

Salvador era delegado de polícia em Serra Pelada. Com o irmão, teria roubado e depois vendido 34 armas apreendidas pela polícia. O vereador estaria circulando num carro Del Rey roubado no Maranhão. O programa estava no ar quando Salomão e seu capanga, conhecido como Bodão, entraram no estúdio. Focados pela câmera, atiraram em Robson, matando-o no local, e depois fugiram.

(A Província do Pará, Belém/PA, 27/07/1985)

Pará: o caos fundiário

Falando na Câmara Federal para uma comissão especial encarregada de propor medidas sobre a reforma agrária, em agosto de 1985, o governador do Pará, Jader Barbalho, destacou as distorções na estrutura de posse da terra no Estado.

Citou números do cadastro do Incra, revelando que oito pessoas físicas e jurídicas detinham 1,5 milhão de hectares e três anos depois já possuíam 6 milhões de hectares. A área apropriada por esses empreendimentos no período, de 4,5 milhões de hectares, superava em 40% toda a extensão ocupada pelos 196 mil estabelecimentos agropecuários de até 100 hectares recenseados pelo IBGE em 1980.

Informou o governador que mais de dois terços dos 17 milhões de hectares de área total aproveitável dos latifúndios eram mantidos sem utilização, enquanto permaneciam sem terra aproximadamente 160 mil trabalhadores rurais.

Um por cento do total de estabelecimentos agropastoris concentravam 57% da terra ocupada, empregando somente 3% da mão de obra rural e contribuindo com apenas 14% do valor bruto da produção, apesar de terem recebido 36% do volume de crédito ofertado ao setor primário estadual.

No Pará ocorreram, em 1981, 36% dos conflitos de terra registrados em todo o país. Em 1984, 75% dos conflitos de terra se localizavam no sul do Estado.

(A Província do Pará, Belém/PA, 14/04/1985)

Índios contra hidrelétrica

Oito líderes da reserva indígena Nambikwara, situada na divisa entre Mato Grosso e Rondônia, representaram junto à Procuradoria Geral da República, em novembro de 1989, contra a construção da hidrelétrica Doze de Outubro, projetada pela empresa de construção Goes Cohabita.

A empresa era do deputado Joacy Goes, do PMDB da Bahia, na época presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Federal. A usina, localizada a cinco quilômetros da aldeia Kithãlu, foi projetada para produzir 11 megawatts, inundando 4,5 hectares dentro do território indígena, a um custo de 30 milhões de dólares.

Os direitos de exploração da usina seriam da própria Goes Cohabita. Ela se tornaria, assim, a primeira empresa privada a explorar uma hidrelétrica na Amazônia.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 09/11/1989)

Droga: menos controle

Por causa da falta de recursos, agentes e equipamentos, a Polícia Federal decidiu, em abril de 1999, fechar quatro postos de fiscalização na região de fronteira do Estado do Amazonas com os três principais produtores de drogas na América do Sul: Colômbia, Bolívia e Peru. Foram fechados os postos de Lábrea, Tefé, Eirunepé e Borba. Ficaram apenas os postos de Tabatinga e Benjamin Constant.

As fronteiras continentais brasileiras na Amazônia atingem 9.058 quilômetros, a maior parte em plena floresta, Só com a Colômbia, a fronteira se estende por 1.644 quilômetros. Em 1998 os agentes federais conseguiram apreender 600 quilos de cocaína no Estado do Amazonas.

Em março de 1999 um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) que iria para a Europa foi retido em Recife. Dentro dele havia 32 quilos de cocaínas. Foi a primeira apreensão de droga em um avião da FAB. Mas a PF já flagrara soldados da Aeronáutica e do Exército transportando um ou dois quilos de cocaína no trajeto entre Tabatinga, na fronteira com a Colômbia, e Manaus. Até então eram casos isolados.

Com o fechamento das quatro bases, esse controle iria enfraquecer.

(O Globo, Rio de Janeiro/RJ, 25/04/1999)

Kayath na Sudam

O presidente José Sarney nomeou, em 29 de março de 1985, o médico Henry Kayath para o cargo de superintendente da Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia). Logo depois, telefonou para o governador do Pará, Jader Barbalho, comunicando-lhe o ato. A indicação de Kayath havia sido feita por Barbalho. O ex-governador Alacid Nunes pretendia o cargo. Ao receber a notícia, Barbalho disse que Kayath era “um homem afinado com o governo do Estado e, evidentemente, com a proposta de incentivos fiscais”.

(O Liberal, Belém/PA, 30/03/1985)

Cocaína no Amazonas

Em setembro de 1994 a Polícia Federal apreendeu em Tefé, no Amazonas, 200 quilos de cocaína que estavam dentro de cinco malas, no interior de um avião tipo Cessna, prefixo PT-IHP, de São Paulo, pertencente ao empresário Raimundo Tupã.

No avião foram presos o piloto argentino Raul Boretto e mais Luís Henrique de Oliveira. Boretto disse que a carga fora financiada por Átila Morbach, preso em Belém, juntamente com Tupã. A droga foi adquirida diretamente dos produtores colombianos, mas não pertencia aos cartéis. Iria ser comercializada principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo.

(O Liberal, Belém/PA, 07/10/1994)