Os matadores de Chico Mendes

Em fevereiro de 1992. a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre anulou, por dois votos contra um, o julgamento do Tribunal do Júri de Xapuri, que condenou o fazendeiro Darli Alves da Silva a 19 anos de prisão por ter sido o mandante da morte do ecologista e líder seringueiro Chico Mendes. Dois desembargadores consideraram que os jurados de Xapuri tomaram uma decisão “manifestamente contrária à prova dos autos”, o único argumento que permite anular uma decisão do Tribunal do Júri e fazer realizar nova sessão. Os três desembargadores da câmara decidiram manter a pena de 19 anos de cadeia para Darci Alves da Silva, filho de Darli, que confessou ter atirado em Chico Mendes e que já cumpria mais 12 anos de prisão por outro assassinato.

Jornal do Brasil (RJ), 29-02-1992

Dinheiro pelas florestas

Em fevereiro de 1989, o Senado dos Estados Unidos manifestou a intenção de pressionar o Fundo Monetário Internacional para que a instituição seguisse o exemplo do Banco Mundial e passasse também a vincular o desembolso de seus empréstimos à preservação das florestas. Para conseguir esse objetivo, o único capaz de preservar as florestas, os parlamentares sugeriam o uso de um eficiente instrumento de pressão: o capital americano.

Os senadores democratas John Kerry e Terry Stanford e os republicanos Richard Lugar e Budy Boschwitz pediram ao secretário do Tesouro, Nicholas Brady, para não apoiar a proposta de duplicação do capital do FMI, a menos que a diretoria do organismo criasse rigorosas regras para a proteção do meio ambiente. Os EUA são responsáveis por 20% do dinheiro do FMI. As preocupações dos parlamentares foram motivadas pelos desmatamentos no Brasil e nas Filipinas, principalmente.

O Globo (RJ), 23-02-1989

Americanos intercedem

Em julho de 1988, 38 senadores dos Estados Unidos, liderados pelo presidente da Comissão de Energia e Recursos Naturais, Dale Rumpers, encaminharam à Frente Nacional de Ação Ecológica, que funcionava junto à Assembleia Nacional Constituinte brasileira, um apelo para que o governo do Brasil ratificasse o quanto antes o Protocolo de Montreal e a Convenção de Viena, visando reduzir o uso das substâncias destruidoras da camada de ozônio na atmosfera. Se essa camada mantivesse o ritmo de destruição que foi observado nos anos mais recentes, o Sudeste e o Centro-Oeste dos Estados Unidos continuariam sofrendo secas ou ondas de calor capazes de arruinar as principais safras agrícolas do país.
Fonte : Jornal da Tarde (SP), 08-07-1988

Secretariado de Alacid

Secretariado com o qual o tenente-coronel Alacid da Silva Nunes iniciou o seu primeiro mandato como governador do Pará, em 1º de fevereiro de 1966 (até 1971, com um novo mandato entre 1979 e 1983):

CHEFIA DE GABINETE – Osvaldo Melo

FAZENDA – José Jacinto Aben-Athar

EDUCAÇÃO – Acy de Jesus Barros Pereira

AGRICULTURA – Walmyr Hugo dos Santos

OBRAS – José Maria Barbosa

DER – Alyrio César de Olivera

PROCURADORIA GERAL – Ofir Coutinho

DEA (Departamento de Águas e Esgotos) – Luís Gonzaga Baganha

IDESP – Adriano Veloso Menezes

POLÍCIA MILITAR – Antônio Cálvis Moreira

Os outros secretários e auxiliares do primeiro escalão, por ainda não terem sido colocados à disposição do Estado no dia da posse, só seriam nomeados depois, como Carlos Guimarães Pereira da Silva, José Magalhães e José Maria Condurú Pinto Marques.

CONSULTORIA GERAL – Otávio Mendonça

(Arquivo Pessoal s/d)

Eleição de 1965

Votaram 244.455 eleitores para o governo do Pará em 1965. Alacid Nunes, ex-prefeito de Belém, eleito indiretamente pelos vereadores, e candidato da situação, teve 163.527 votos. O ex-governador e ex-senador Alexandre Zacrias de Assunção, pela oposição, ficou com 67.166 votos. Houve 5.056 votos em branco e 8.806 nulos. Foi o momento de maior popularidade do recém-estabelecido regime militar. O então governador, Jarbas Passarinho, apoiou seu ex-colega de caserna. Depois se afastariam até o rompimento total.

O escândalo da Capemi

O juiz da 13ª vara de falências e concordatas do Rio de Janeiro, Luís de Sousa Gouvêa, excluiu de sua sentença, dada em fevereiro de 1986, 13 das 16 pessoas denunciadas pelo curador Hélio Gama como envolvidas em irregularidades no projeto para a extração de madeira da área do reservatório da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará. O empreendimento foi entregue pelo governo à Agropecuária Capemi.

Dentre os excluídos pelo juiz estavam dois generais, um coronel, um irmão e um primo-irmão do chefe da agência central do SNI (Serviço Nacional de Informações), Newton Cruz; dois genros de um deles, o irmão do então prefeito do Rio de Janeiro, o filho caçula do presidente João Figueiredo, Paulo Figueiredo, e um sócio dele.

Foram denunciados apenas o ex-superintendente da Agropecuária Capemi, Fernando José Pessoa dos Santos; o diretor da Capemi Distribuidora de Valores, Luiz Cacciatore Arroba Martins; e o ex-coordenador geral do projeto de Tucuruí pelo Ministério da Agricultura, Roberto Amaral.

Fonte : O Estado de S. Paulo (SP), 13 de março de 1984

Ex-deputado condenado

Em 1993, o ex-deputado estadual Osvaldo dos Reis Mutran, mais conhecido como Vavá Mutran, foi condenado a nove anos de prisão pela justiça do Pará. Ele foi apontado como o mandante do assassinato de Daniel Lira Mourão, fiscal de tributos da Secretaria da Fazenda do Estado, morto a tiros em sua própria casa, no município de Marabá. Mourão havia se recusado a liberar uma carreta que transportava 20 cabeças de gado, de propriedade de Mutran, usando notas fiscais “frias”. O ex-parlamentar escreveu um bilhete ao fiscal, solicitando a liberação da carreta, mas não foi atendido.

Ao ser condenado, ele foi recolhido ao Hospital da Polícia Militar, em Belém, sob a alegação de sofrer de “cardiopatia hipertensiva”. Cumpriu mais de dois anos da pena no hospital, até ser liberado, em julho de 1995, graças a um indulto concedido pelo Conselho de Política Criminal e Penitenciária do Estado.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 05/07/1995