Inpe começa a combater queimadas

No final de junho de 1989, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), de São José dos Campos, em São Paulo, deu início ao Programa de Combate às Queimadas no Brasil, atuando principalmente na Amazônia.

Através do programa, o Inpe passou a poder acionar o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) três horas após os satélites norte-americanos da série NOAA passarem sobre a região e fotografarem um princípio de incêndio.

A informação sai diretamente de Cachoeira Paulista, no Vale do Paraíba, onde o Inpe mantém uma estação que capta imagens de satélite, para a regional do Ibama mais próxima da queimada. A informação é retransmitida pelo Sistema Ciranda, da Embratel, que interliga computadores através de linhas telefônicas.

Os dados do Inpe passa riam a servir para o governo federal tentar impedir as queimas irregulares, não autorizadas por não disporem do Rima (Relatório de Impacto Ambiental). A vigilância de satélites é feita em quase todo o território brasileiro abaixo da linha do Equador, já que acima a estação de Cachoeira não capta mais imagens de satélite.

Fonte: O Estado de S. Paulo (S. Paulo/SP), 21-06-1989

Ibama começa a usar helicóptero

O combate do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) às queimadas no Pará se tornou mais eficiente em 1988, graças à utilização de um helicóptero, alugado a uma empresa particular. Com a ajuda do aparelho, os fiscais do Ibama passaram a chegar aos locais de queimadas e desmatamentos poucos minutos após a detecção da irregularidade.

Os fiscais começaram a receber ameaças anônimas, entre as quais de que o helicóptero seria derrubado a tiros. Os disparos não aconteceram, mas os pilotos encontraram excesso de água na gasolina e peças com aparência suspeita, obrigando-os a recorrer a perícia para verificar se teria havido sabotagem.

A melhoria das condições de fiscalização foi proporcionada por recursos financeiros do Banco Mundial. Até o final de agosto de 1989 o Ibama t inha recebido no Pará mais de 500 pedidos de autorização para desmatamento, mas só havia liberado 200. O órgão dispunha, para o trabalho naquele ano, de seis carros, 15 agentes de defesa e 8 técnicos, equipe apoiada por oito agentes da Polícia Federal.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 31-06-1989

A maior queimada

Um mês antes da conclusão do trabalho, o pesquisador Alberto Setzer divulgou alguns dados do levantamento sobre desmatamento na Amazônia que o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) realizou com base em imagens de satélite.

Setzer aproveitou sua palestra na I Semana de Meteorologia, em Belém, em março de 1988, para revelar que as queimadas praticadas em 1987 na Amazônia resultaram da destruição de 200 mil quilômetros quadrados de floresta, área superior à extensão territorial do Acre.

Durante os cerca de 80 dias que constituem o período de queimadas na região, foram jogadas na atmosfera aproximadamente cinco milhões de toneladas de monóxido de carbono, uma quantidade de gases 100 vezes maior do que a expelida pelo vulcão El Chinchon, no México, numa das maiores erupções vulcânicas de todos os tempos. A terrível poluição atmosférica que atinge São Paulo resulta do despejo diário de oito mil toneladas de monóxido de carbono.

Interpretando as fotos do satélite interpolar NOAA, os técnicos do Inpe chegaram à conclusão de que a Amazônia perdeu 4,7% da sua cobertura vegetal em 1987. O desmatamento maior foi em Rondônia, que perdeu 18,7% de suas matas. Em algumas fotos, Setzer chegou a detectar oito mil pontos de queimadas ocorrendo simultaneamente.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 26-03-1988

Os matadores de Chico Mendes

Em fevereiro de 1992. a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre anulou, por dois votos contra um, o julgamento do Tribunal do Júri de Xapuri, que condenou o fazendeiro Darli Alves da Silva a 19 anos de prisão por ter sido o mandante da morte do ecologista e líder seringueiro Chico Mendes. Dois desembargadores consideraram que os jurados de Xapuri tomaram uma decisão “manifestamente contrária à prova dos autos”, o único argumento que permite anular uma decisão do Tribunal do Júri e fazer realizar nova sessão. Os três desembargadores da câmara decidiram manter a pena de 19 anos de cadeia para Darci Alves da Silva, filho de Darli, que confessou ter atirado em Chico Mendes e que já cumpria mais 12 anos de prisão por outro assassinato.

Jornal do Brasil (RJ), 29-02-1992

Americanos intercedem

Em julho de 1988, 38 senadores dos Estados Unidos, liderados pelo presidente da Comissão de Energia e Recursos Naturais, Dale Rumpers, encaminharam à Frente Nacional de Ação Ecológica, que funcionava junto à Assembleia Nacional Constituinte brasileira, um apelo para que o governo do Brasil ratificasse o quanto antes o Protocolo de Montreal e a Convenção de Viena, visando reduzir o uso das substâncias destruidoras da camada de ozônio na atmosfera. Se essa camada mantivesse o ritmo de destruição que foi observado nos anos mais recentes, o Sudeste e o Centro-Oeste dos Estados Unidos continuariam sofrendo secas ou ondas de calor capazes de arruinar as principais safras agrícolas do país.
Fonte : Jornal da Tarde (SP), 08-07-1988

Áreas de queimadas

Junho é o mês em que mais queimadas ocorrem na Amazônia. Em junho de 1991, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) registrou 5.687 focos de fogo na região. Em 1992, os incêndios em junho somaram 5.363. Foram 6.635 em 1993, 1.856 em 1994 e 5.974 em 1995.

As queimadas em 1995 ocorreram com maior intensidade junto à Chapada dos Parecis, onde tem início a BR-364, em Mato Grosso; e na Serra Geral e Chapada das Mangabeiras, no Estado do Tocantins.

A surpresa nesse ano foi o aparecimento de queimadas ao longo do rio Amazonas, desde Tefé até a foz, com destaque para a boca do rio Tocantins, no Pará, áreas nas quais as queimadas só ocorriam entre setembro e outubro, quando a vegetação fica mais seca. A antecipação do fogo nessa área preocupou os técnicos.

Fonte: Diário do Pará (Belém/PA), 01/07/1995