Contaminação por mercúrio

Técnicos da Fundação Oswaldo Cruz e da Secretaria de Saúde do Pará, em pesquisa para o Departamento Nacional da Produção Mineral, analisaram 24 amostras de cabelos de pessoas, 16 de garimpeiros e 8 de índios kayapó. Atestaram que 31% das amostras continham teores de mercúrio acima do tolerável, que é de 6 ppm (partes por milhão) no organismo humano.

Nos índios esse índice ficou em 25%. Na região do Gurupi, ainda no Pará, em 11 amostras colhidas entre os garimpeiros de Cachoeira, foi verificada uma média de 11,49 ppm, mas cinco dos garimpeiros chegaram a apresentar teores na faixa de 6 a 50 ppm.

Em exames de urina e de sangue feitos em garimpeiros, moradores e queimadores de amálgama no Tapajós, nos últimos o teor chegou a ser de 0,227 ppm, quando o tolerável nesse caso é de apenas 0,02 ppm. Em Serra Pelada foram coletadas apenas duas amostras: em um garimpeiro o índice foi de 9,25 ppm e em um funcionário da Caixa Econômica Federal foi de 2,9 ppm.

Fonte : O Liberal (Belém), 06-09-1988

Praga de mosquitos em Tucuruí

A partir da formação do reservatório da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, em 1984, surgiu uma praga de mosquitos do tipo mansonia tittilane, agravada em 1987 pelo aparecimento da mosca “cabo verde”, ambas provocadas pela proliferação de plantas aquáticas e de massa vegetal submersa no lago artificial.

O aumento da incidência de mosquitos chegou à proporção de 500 picadas por homem/hora, inviabilizando a permanência da população assentada às margens do reservatório. Em abril de 1991, foi declarado estado de calamidade pública na gleba Parakanan. A partir de 1989, uma Comissão de Estudos da Proliferação de Mosquitos a Montante de Tucuruí passou a atuar tentando resolver o problema.

Fonte: O Liberal (Belém), 07-05-1991.

Malária assola Mato Grosso

Em julho de 1989, o prefeito de Peixoto de Azevedo, Vilmar Antônio Pinto, decretou estado de calamidade pública nesse município do norte de Mato Grosso, porque 25% de seus 80 mil habitantes estavam com malária. O número de novos casos aumentara de 100 para 300. O estoque de medicamentos fora reduzido a zero. Estavam com malária 40% dos 160 mil garimpeiros da região, que, em 30 áreas auríferas, produziam 500 quilos de ouro por mês.

Fonte: O Globo (RJ), 09-07-1989

Doença e conflito em Tucuruí

Com a formação do reservatório da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, em 1984,muitas árvores ficaram submersas, causando a formação de gases em virtude de seu apodrecimento. Uma das consequências desse fenômeno foi o aparecimento de moscas hematófagas, que passaram a atacar a população das margens do lago artificial. Cada morador podia chegar a sofrer 500 picadas por hora dessas moscas, segundo pesquisa feita na área pelo Instituto Evandro Chagas, de Belém.

Em 1991, o governo federal decretou estado de emergência nas glebas Parakanã, Pucuruí e Tucuruí, para onde foram remanejados lavradores das áreas alagadas. Em setembro de 1992, o Incra criou o Projeto de Assentamento Rio Gelado, no qual 1.250 famílias se estabeleceram. Mas logo se desencadeou um conflito entre os assentados e a madeireira Abrolho Verde.

Com um projeto de manejo florestal aprovado pelo Ibama, a empresa penetrou nas glebas dos agricultores para extrair madeira, principalmente mogno. Vários atritos ocorreram entre as partes a partir de então.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 17/03/1995

O DDT e a malária

Em 1990, o governo brasileiro conseguiu financiamento do Banco Mundial para a aquisição de três mil toneladas de DDT, que seriam aplicados na Amazônia durante cinco anos para combater a malária. O World Watch Institute, um grande grupo ambientalista sediado em Washington, nos Estados Unidos, criticou a iniciativa. Lembrou que o DDT já fora banido em 40 países. Embora tendo uma ação rápida, o produto provocava efeitos mortíferos sobre pássaros e peixes. Além disso, a malária acabava retornando às mesmas áreas.

Fonte: O Globo (Rio de Janeiro/RJ), 30/06/1990

Morte por febre amarela

Um paciente de febre amarela silvestre morreu em Belém em julho de 1967. O colono japonês Tadokoro Yoshitan começou a apresentar os sintomas da doença em Tomé-Açu, município do interior do Pará, no qual imigrantes japoneses se estabeleceram. Com o agravamento da situação, foi transportado para Belém, morrendo no mesmo dia em que foi internado no Hospital Guadalupe. Nessa época, 25 mil pessoas já haviam sido vacinadas contra a doença.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 01/08/1967

a ameaça da febre amarela

Em 1967, foi registrada em Belém a ocorrência do mosquito Aedes Aegypt. As autoridades públicas trataram de rapidamente esclarecer que a presença do inseto não significava automaticamente a presença da febre amarela, erradicada da capital paraense no início do século XX, a partir dos trabalhos de Oswaldo Cruz.

Na mesma época, o Aedes Aegypt havia sido detectado na Colômbia, Cuba, Guiana, Haiti, Venezuela, Guatemala, Jamaica, República Domincana e Tobago, além de nos Estados Unidos, “sem que qualquer problema de febre amarela tenha se verificado nesses países”.

Em nota oficial conjunta, as autoridades do governo pediram a colaboração da população, para adotar medidas preventivas, sobretudo a vacinação, “porquanto em anos passados ocorreram alguns casos de febre amarela silvestre em área próxima a Belém”.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 29/07/1967