Ferrovia questionada

O jornal Valor Econômico publicou hoje (dia 28 de maio) que o Tribunal de Contas da União poderá se manifestar contra a antecipação da renovação do contrato de concessão da Estrada de Ferro Carajás, explorada pela Vale. Relatório de auditores do órgão aponta falhas nos estudos apresentados ao tribunal. A reportagem se baseia em um relatório no qual auditores do TCU dizem não haver identificado vantagens para a União na intenção da mineradora.

A concessão da ferrovia, válida por 50 anos, vai até 2027, mas a Vale quer antecipar a prorrogação por mais 30 anos, até 2057. Dispõe-se a investir 8,22 bilhões de reais para renovar e ampliar a ferrovia, de 870 quilômetros, ligando a mina, no Pará, ao porto da Ponta da Madeira, em São Luís do Maranhão.

Os técnicos querem que os estudos, concluídos em dezembro de 2017, sejam atualizados para uma avaliação realista do empreendimento. O tribunal deu prazo de 180 dias para a Vale atualizar o documento. Só a partir daí o parecer dos auditores será submetido ao relator do processo, ministro Bruno Dantas. O governo está do lado da mineradora.

Desperdício de madeira

O processo de ocupação da Amazônia, com a implantação de projetos agrícolas, pecuários, minerais, hidrelétricas e estradas, foi responsável pela remoção de 1,6 milhão de hectares de cobertura vegetal entre 1975 e 1978 e por 2,6 milhões de hectares entre 1978 e 1980.

Esses dados foram apresentados em abril de 1985 pela Associação das Indústrias Exportadoras de Madeira do Baixo Amazonas, com base em levantamento realizado pelo IBDF e a Sudam a partir de imagens do satélite Landsat.

Nesse documento, a Aibam deplorava a perda anual de 200 milhões de metros cúbicos de madeira, com diâmetro superior a 60 centímetros, “devoradas pelo fogo”, madeiras “cujas toras representariam, se aproveitadas, um valor de mercado internacional correspondente a 8 milhões de hectares”.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 01-05-1985

Exportação da Albrás

Em 1994, a Albrás foi a nona maior exportadora brasileira, tendo vendido para o mercado externo 461 milhões de dólares em lingotes de alumínio. A empresa, instalada no Pará, é controlada pela Companhia Vale do Rio Doce, em associação com um consórcio japonês.

Fonte: Gazeta Mercantil (São Paulo/SP), 17/04/1995

Praga no lago de Tucuruí

As glebas Parakanã, Pucuruí e Tucuruí, localizadas às margens do reservatório da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, foram consideradas em estado de emergência, em 1991, por causa da proliferação de moscas hematófagas, que chegaram a dar 5 mil picadas por hora em moradores da região. A praga surgiu em consequência do apodrecimento das árvores que ficaram submersas no lago, gerando gases e eliminando o oxigênio da água.

Em setembro de 1992, o Incra criou o projeto de assentamento Rio Gelado, destinado a absorver os moradores do lago. Posteriormente, o Ibama concedeu à empresa madeireira Abrolho Verde autorização para extrair madeira na área, com base num projeto de manejo considerado inconsistente pelos representantes dos lavradores. Quando trabalhadores contratados pela empresa começaram a entrar na mata, entraram em conflito, em 1974, com as 1.250 famílias beneficiadas pelo assentamento Rio Gelado.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 17/03/1995

Zoneamento ecológico-econômico

Em 1992, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apresentou os primeiros mapas demográficos e econômicos da Amazônia, que serviriam para compor o diagnóstico ambiental da região, primeira etapa do seu zoneamento ecológico-econômico, coordenado pela Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos.

Os pesquisadores, utilizando dados dos censos, constataram um acentuado incremento na população dos centros urbanos da Amazônia durante a década anterior. Essa urbanização seria resultante do poder de atração dos garimpos e da expulsão dos habitantes rurais de suas antigas áreas de colonização, ocupadas por um número mais concentrado de proprietários.

O crescimento desordenado das periferias das cidades estava criando sérios problemas devido à inexistência de infraestrutura de saneamento e pelo alastramento de doenças como a malária, que em 10 anos havia aumentado 841% em Mato Grosso, e a leishmaniose (que se manifesta através de feridas na pele do doente), que crescera 7.519% na área do Maranhão que faz parte da Amazônia Legal.

No aspecto demográfico, a pesquisa do IBGE destaca dados como a evolução populacional de 63,4% de Manaus entre 1980 e 1991. Nesse mesmo período, Parauapebas e Paragominas, ambas no Pará, crescera, 518% e 153%, respectivamente, por causa do poder de atração de Carajás, a grande província mineral no sul do Estado.

Gazeta Mercantil (São Paulo/SP), 14/05/1992

Caulim do Jari

 

A Caulim da Amazônia S/A (Cadam), a maior produtora de caulim da América Latina, comercializou, em 1990, 340 mil toneladas de caulim “amazon 99”, faturando 53,2 milhões de dólares. Para o mercado externo foram 301 mil toneladas e internamente (com demanda estimada em 500 mil toneladas) foram vendidas 39 mil toneladas.

Em 1991, a Cadam iria produzir 385 mil toneladas. A empresa, subsidiária da Companhia do Jari, era então controlada pelo empresário Augusto Trajano de Azevedo Antunes. A reserva que explora, no Morro do Felipe, no Amapá, era de 500 milhões de toneladas.

No Brasil todo, quarto maior produtor mundial, as reservas somavam 2,5 bilhões de toneladas. A oferta mundial de caulim era de pouco mais de 22 milhões de toneladas. Com um total de 14 milhões de toneladas, Estados Unidos, Inglaterra e a ex-União Soviética controlavam mais de 60% da oferta mundial.

(Gazeta Mercantil, São Paulo/SP, 16/02/1991)

A proteção da Amazônia

O Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia) foi criado para servir de suporte ao Sipam (Sistema de Proteção da Amazônia), atuando sobre uma área que corresponde a 61% do território brasileiro e onde está localizada 30% da biodiversidade do planeta.

O projeto direcionará informações para os Centros Regionais de Vigilância (CRVs), instalados em Belém, Manaus e Porto Velho, através de satélites e aviões de vigilância e de sensoriamento remoto; estações, radares e satélites meteorológicos; plataformas de coletas de dados; radares fixos e transportáveis; usuários remotos; estações de recepção terrenas; estações meteorológicas de altitude; sensores de monitoração de comunicações e centros integrados de defesa aérea e controle de tráfego aéreo.

O sistema disporá de 940 terminais usuários, com instalação concluída em junho de 2002. Microcomputadores, faxes, terminais eletrônicos, estação terrena de pequeno porte e painéis solares possibilitarão um planejamento coordenado das ações. O principal objetivo é promover a integração dos Estados, municípios e órgãos do governo federal.

O primeiro radar do sistema foi instalado em Jaraeacanga, no Pará, em março de 1999. As demais unidades foram previstas para Santarém, São Félix do Xingu, Belém, Tiriós, Cachimbo e Conceição do Araguaia. As cinco aeronaves de vigilância R99-A monitorarão o tráfego aéreo, mesmo se os aparelhos visados voarem a baixa altitude.

Os três aviões de sensoriamento remoto irão gerar informações sobre as características do solo e de movimentos de superfície. Um Grand Caravan R-98 produzirá informações das características de superfície e sobre incêndios florestais. Quatro aeronaves do mesmo modelo farão o transporte de equipes de manutenção e de apoio logístico.

(O Liberal, Belém/PA, 26/06/2000)

Índios atacam seringueiros

A partir de abril de 1977 os índios wau-wau começaram a atacar caçadores e seringueiros na região do Alto Guaporé, em Rondônia, provocando a morte de cinco pessoas nos seringais São Luís e São Tomé. Por isso, a Funai organizou uma nova frente de atração para tentar se aproximar desses índios arredios.

(O Estado de S. Paulo, São Paulo/SP, 26/12/1977)