A Celpa e os funcionários

Em abril de 1995, a Celpa (Centrais Elétricas do Pará), concessionária de energia do Estado, demitiu 269 funcionários. O Sindicato dos Urbanitários não aceitou as demissões e recorreu à justiça, conseguindo suspensão temporária do ato. Alegou que apenas 34 demitidos eram irregulares. Mostrou que a estatal tinha 386 funcionários não concursados e mil em serviços terceirizados, que absorviam 8% do seu faturamento. Nove anos antes a empresa possuía 3.120 empregados e 415 mil consumidores. Em 1995, a relação era de 3 mil funcionários e 723 mil consumidores. Só no interior do Estado o déficit seria de 624 funcionários.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 01/07/1995

Trabalho escravo no sul do Pará

Em julho de 1985, Domingos Ribeiro da Silva denunciou que pelo menos 100 peões estariam trabalhando como escravos na Fazenda Santa Marta, a 30 quilômetros de Nova Barreira, município de Santana do Araguaia, no sul do Pará. Ele próprio teria trabalhado durante três meses e, ao final, nada tinha a ganhar por causa da dívida contraída junto à cantina da fazenda, Teve então que fugir.

O presidente do sindicato local de trabalhadores, Natal Viana Ribeiro, que encaminhou a denúncia, lembrou na ocasião que nos nove anos anteriores o trabalhador rural não havia ganhado um só ação na justiça, apesar de só o sindicato haver proposto cerca de 200 ações por não pagamento do 13º salário, aviso prévio ou descanso remunerado e semanal.

Fonte: Diário do Pará (Belém/PA), 25/07/1986

Sindicato em Conceição do Araguaia

Em agosto de 1985, chegou ao fim o domínio que, durante nove anos, Bertoldo Lira Siqueira exerceu no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Conceição do Araguaia, considerado, na época, o mais importante do Pará. A oposição vinha tentando, sem sucesso, afastar Bertoldo do cargo.

Em 1980, Raimundo Ferreira Lima, mais conhecido como Gringo, que pretendia assumir a presidência, foi assassinado. Para empossar a nova diretoria, eleita um mês antes, o juiz Enivalgo Gama Ferreira teve que mandar arrombar a sede do sindicato porque Bertoldo não apareceu para transmitir o cargo e trancou a porta do prédio.

(O Liberal, Belém/PA, 20/08/1985)

Controle do sindicato

Em agosto de 1985, chegou ao fim o domínio que, durante nove anos, Bertoldo Lira Siqueira exerceu no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Conceição do Araguaia, considerado, na época, o mais importante do Pará.

A oposição vinha tentando, sem sucesso, afastar Bertoldo do cargo. Em 1980, Raimundo Ferreira Lima, mais conhecido como Gringo, que pretendia assumir a presidência, foi assassinado. Para empossar a nova diretoria, eleita um mês antes, o juiz Enivaldo Gama Ferreira teve que mandar arrombar a sede do sindicato porque Bertoldo não apareceu para transmitir o cargo e trancou a porta do prédio.

(O Liberal, Belém/PA, 20/08/1985)

Canuto é assassinado

O sindicalista João Canuto de Oliveira, ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Rio Maria, no Pará, foi assassinado com 19 tiros dados à queima-roupa, em 18 de dezembro de 1985. O ex-prefeito de Rio Maria, Adilson Laranjeira, foi acusado de mandante do crime, executado por pistoleiros contratados por um taxista e um mecânico da cidade, localizada no sul do Estado, que teriam funcionado apenas como intermediários. Canuto era líder dos sem-terra da região e contava com o apoio da CPT (Comissão Pastoral da Terra).

(O Liberal, Belém/PA, 30/10/1999)

Líder sindical assassinado

Em novembro de 2000, o diretor do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rondon do Pará, José Dutra da Costa, de 43 anos, casado, maranhense, mais conhecido como Dezim, foi assassinado com seis tiros, no início da noite, quando caminhava por uma das ruas da sede do município, no Pará.

O assassino foi preso por populares quando tentava fugir e espancado, mas não chegou a ser identificado no momento da sua captura. Ele se recusava a falar e não tinha nenhum documento de identificação. Ainda com o revólver que usara, foi enquadrado em flagrante delito e mantido preso.

O crime foi associado ao apoio dado pelo dirigente sindical às 40 famílias que ocuparam as terras da fazenda Tulipa Negra.

(Diário do Pará, Belém/PA, 22/11/2000)

Greve na Jari

A Associação Profissional dos Trabalhadores da Indústria de Celulose de Almeirim (depois transformada em sindicato) comandou, no dia 20 de maio de 1987, a primeira greve de trabalhadores realizada no projeto Jarí, que começou a ser implantado no final da década de 60 pelo milionário Daniel Ludwig.

A paralisação, com previsão de durar quatro dias, foi suspensa na madrugada do segundo dia porque os trabalhadores “foram coagidos pelos chefes de setores”, segundo o presidente da associação, José Raudamedes. Mas ele garantiu que o movimento contou com a adesão de 25% dos 4.500 empregados da fábrica de celulose da Companhia Florestal Monte Dourado, sucessora de Ludwig.

Os trabalhadores reivindicavam 25% de aumento salarial, já com o desconto do dissídio de maio, e a venda, a preço de custo, dos produtos de primeira necessidade no supermercado da empresa, o único existente em Monte Dourado. Como a Jari se recusou a negociar, a associação desencadeou o movimento grevista.

(O Liberal (Belém/PA), 22/08/87)