Canuto é assassinado

O sindicalista João Canuto de Oliveira, ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Rio Maria, no Pará, foi assassinado com 19 tiros dados à queima-roupa, em 18 de dezembro de 1985. O ex-prefeito de Rio Maria, Adilson Laranjeira, foi acusado de mandante do crime, executado por pistoleiros contratados por um taxista e um mecânico da cidade, localizada no sul do Estado, que teriam funcionado apenas como intermediários. Canuto era líder dos sem-terra da região e contava com o apoio da CPT (Comissão Pastoral da Terra).

(O Liberal, Belém/PA, 30/10/1999)

Líder sindical assassinado

Em novembro de 2000, o diretor do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rondon do Pará, José Dutra da Costa, de 43 anos, casado, maranhense, mais conhecido como Dezim, foi assassinado com seis tiros, no início da noite, quando caminhava por uma das ruas da sede do município, no Pará.

O assassino foi preso por populares quando tentava fugir e espancado, mas não chegou a ser identificado no momento da sua captura. Ele se recusava a falar e não tinha nenhum documento de identificação. Ainda com o revólver que usara, foi enquadrado em flagrante delito e mantido preso.

O crime foi associado ao apoio dado pelo dirigente sindical às 40 famílias que ocuparam as terras da fazenda Tulipa Negra.

(Diário do Pará, Belém/PA, 22/11/2000)

Greve na Jari

A Associação Profissional dos Trabalhadores da Indústria de Celulose de Almeirim (depois transformada em sindicato) comandou, no dia 20 de maio de 1987, a primeira greve de trabalhadores realizada no projeto Jarí, que começou a ser implantado no final da década de 60 pelo milionário Daniel Ludwig.

A paralisação, com previsão de durar quatro dias, foi suspensa na madrugada do segundo dia porque os trabalhadores “foram coagidos pelos chefes de setores”, segundo o presidente da associação, José Raudamedes. Mas ele garantiu que o movimento contou com a adesão de 25% dos 4.500 empregados da fábrica de celulose da Companhia Florestal Monte Dourado, sucessora de Ludwig.

Os trabalhadores reivindicavam 25% de aumento salarial, já com o desconto do dissídio de maio, e a venda, a preço de custo, dos produtos de primeira necessidade no supermercado da empresa, o único existente em Monte Dourado. Como a Jari se recusou a negociar, a associação desencadeou o movimento grevista.

(O Liberal (Belém/PA), 22/08/87)

Seringueiros mortos

Segundo levantamento do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia, 150 seringueiros foram mortos no Acre entre as décadas de 1970 e 80. A violência só se tornou mais conhecida com o assassinato de Chico Mendes.

Apesar de todo o impacto internacional que ela provocou, entretanto, os crimes prosseguiram: outros três dirigentes sindicais do Acre foram mortos nos meses seguintes. Para se fortalecer, os seringueiros se uniram aos índios da Aliança dos Povos da Floresta.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 15/02/1990)

Morte de líder sindical

Cerca de cinco mil pessoas participaram, em março de 1991, em Rio Maria, no sul do Pará, de um ato público de repúdio à impunidade de pistoleiros e mandantes de crimes de encomenda na região. A manifestação foi convocada por diversos sindicatos de trabalhadores rurais, entidades de direitos humanos, partidos políticos e por setores da Igreja católica, motivados pelo assassinato do líder sindical Expedito Ribeiro de Souza. Entre os presentes, os senadores Almir Gabriel, do PSDB, e Eduardo Suplicy, do PT.

(O Liberal, Belém/PA, 14/03/1991)