Conflito de terra no Maranhão

Um grave conflito de terra ocorreu em agosto de 1987 na região de Buriticupu, município de Monção, na Pré-Amazônia maranhense. De um lado 108 jagunços contratados pelos proprietários de nove fazendas, espalhadas sobre uma área de 35 mil hectares. Essa área era também ocupada por 400 famílias de lavradores, que se armaram para resistir aos agressores. A terra já estava em processo de desapropriação pelo Ministério da Reforma Agrária, mas sem conclusão.

(O Liberal, Belém/PA, 07/08/1987)

Controle do sindicato

Em agosto de 1985, chegou ao fim o domínio que, durante nove anos, Bertoldo Lira Siqueira exerceu no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Conceição do Araguaia, considerado, na época, o mais importante do Pará.

A oposição vinha tentando, sem sucesso, afastar Bertoldo do cargo. Em 1980, Raimundo Ferreira Lima, mais conhecido como Gringo, que pretendia assumir a presidência, foi assassinado. Para empossar a nova diretoria, eleita um mês antes, o juiz Enivaldo Gama Ferreira teve que mandar arrombar a sede do sindicato porque Bertoldo não apareceu para transmitir o cargo e trancou a porta do prédio.

(O Liberal, Belém/PA, 20/08/1985)

Gerente do Bradesco mata

O gerente da Companhia Agro-Pecuária Rio Araguaia (Capra), pertencente ao grupo Bradesco, matou o lavrador Francisco Moura Leite, de 24 anos, que ocupava um lote dentro da propriedade. O crime ocorreu em frente a uma escola de Conceição do Araguaia, no sul do Pará, em junho de 1973. Aigon Hudson Pyles era acusado de praticar violências contra lavradores desde 1971. A direção do Bradesco só tomou providências depois do crime e da prisão do gerente. O presidente do banco, Amador Aguiar, enviou uma carta ao prefeito de Conceição repudiando a “desatinada atitude” do seu gerente,

(Arquivo Pessoal, 01/08/1973)

Policiais mortos em conflito

Dois policiais civis do Distrito Federal, Bruno Erickman Fernandes e Cláudio Acioly, foram mortos por posseiros emboscados na Fazenda Nazaré, em Conceição do Araguaia, no sul do Pará, no final de março de 1987. Os agentes teriam sido contratados pelo dono da fazenda, juntamente com outros dois fazendeiros, para expulsar posseiros da área.

O padre Ricardo Rezende, da Comissão Pastoral da Terra, acreditava no envolvimento de mais dois policiais. Alguns dias depois do choque, um telefonema anônimo fez a polícia descobrir, a oito quilômetros de distância da cidade, na PA-150, no rumo de Xinguara, a metralhadora INA nº 0016M953, de fabricação nacional e de uso privativo das forças policiais regulares.

A metralhadora teria sido usada pelos policiais de Brasília. Das 30 balas que cabem no pente, apenas seis cartuchos já haviam sido deflagrados. A Fazenda Nazaré pertencia à Araguaia Agrícola e Pecuária, da família Gomes dos Reis, de São Paulo, com área de 12 mil hectares.

A família possuía mais quatro propriedades de grande extensão: Três Irmãos (na época em processo de desapropriação para o programa de reforma agrária), Santa Maria da Conceição, Maria Luiza e Agrisa. Na Fazenda Nazaré havia 80 famílias de posseiros.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 03/04/1987)

Pará: o caos fundiário

Falando na Câmara Federal para uma comissão especial encarregada de propor medidas sobre a reforma agrária, em agosto de 1985, o governador do Pará, Jader Barbalho, destacou as distorções na estrutura de posse da terra no Estado.

Citou números do cadastro do Incra, revelando que oito pessoas físicas e jurídicas detinham 1,5 milhão de hectares e três anos depois já possuíam 6 milhões de hectares. A área apropriada por esses empreendimentos no período, de 4,5 milhões de hectares, superava em 40% toda a extensão ocupada pelos 196 mil estabelecimentos agropecuários de até 100 hectares recenseados pelo IBGE em 1980.

Informou o governador que mais de dois terços dos 17 milhões de hectares de área total aproveitável dos latifúndios eram mantidos sem utilização, enquanto permaneciam sem terra aproximadamente 160 mil trabalhadores rurais.

Um por cento do total de estabelecimentos agropastoris concentravam 57% da terra ocupada, empregando somente 3% da mão de obra rural e contribuindo com apenas 14% do valor bruto da produção, apesar de terem recebido 36% do volume de crédito ofertado ao setor primário estadual.

No Pará ocorreram, em 1981, 36% dos conflitos de terra registrados em todo o país. Em 1984, 75% dos conflitos de terra se localizavam no sul do Estado.

(A Província do Pará, Belém/PA, 14/04/1985)

Posseiro morto na fazenda

No final de fevereiro de 1989, foi assassinado, com um tiro de revólver 38, Miguel Capixaba, ocupante da Fazenda Marajoara, em Xinguara, no sul do Pará. A fazenda fora desapropriada no ano anterior pelo Mirad (Ministério da Reforma e do Desenvolvimento Agrário). Um pouco antes da desapropriação, a Polícia Federal esteve no local para apurar denúncias de assassinato e tortura, encontrando orelhas humanas dentro de vidros com formol. A fazenda pertencia a Manezinho Sá. O Mirad desapropriou apenas parte da fazenda, com 350 hectares.

(O Liberal, Belém/PA, 03/08/1989)