Recorde de trabalho escravo

Em seu relatório anual, a Comissão Pastoral da Terra apontou 38 assassinatos em conflitos de terra no Brasil em 1992. Desse total, sete mortes foram cometidas no Pará e sete no Maranhão, na região conhecida como Bico do Papagaio, abrangendo o sul do Pará, o sudoeste do Maranhão e o norte de Tocantins, “a mais explosiva do país em termos agrários”, segundo a CPT. A comissão também constatou um número recorde de casos de trabalho escravo no país: foram 13.976 em 1992, com maior concentração nas carvoarias de Mato Grosso do Sul.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 03/01/1993

Pistoleiros de Josélio

Em 1995, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Pará acusou o fazendeiro capixaba Josélio Barros Carneiro de utilizar pelo menos uma de suas duas fazendas, às proximidades da rodovia Belém-Brasília, para encobrir assassinatos cometidos por pistoleiros a seu mando. Em uma dessas fazendas o delegado João Moraes, da Polícia Civil, encontrou várias ossadas.

O principal pistoleiro seria o mineiro Aldércio Nunes Leite, procurado em seu Estado de origem por vários crimes, entre os quais a matança de cinco pessoas, em 1990, que ficou conhecido como a chacina de Marcancheta.

Aldércio fugiu para o Pará, sendo contratado por Josélio, juntamente com outro pistoleiro, conhecido como Raí. Eles teriam praticado vários assassinatos nos municípios de Dom Eliseu e Rondon do Pará, onde ficam as fazendas Techagaú e Nova Délhi, de Josélio.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 06/07/1995

PM expulsa posseiros

Seis agricultores, um policial, e mais quatro pessoas ficaram feridas, durante um choque entre PMs e sem-terra na Gleba Sudoeste, no município de São Félix do Xingu, 900 quilômetros ao sul de Belém, no Pará. Mesmo sem mandado judicial, uma tropa da Polícia Militar foi à área para a retirada de lavradores, a pedido do fazendeiro Geraldo Ribeiro, que se declarava proprietário das terras.

Ele acusava os sem-terra de terem ultrapassado os limites do assentamento e penetrado em sua propriedade. A ocupação começara em julho de 1994, sendo considerada pelo governo do Estado como um exemplo de assentamento pacífico.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 30/06/1995

Conflito da Paraporã

Em julho de 1971, a polícia do Pará expulsou dezenas de famílias de lavradores que ocupavam uma área de mais de 17 mil hectares, no município de São Domingos do Capim. As terras eram reivindicadas como suas pela Companhia Agropecuária Paraporã, que conseguiu liminar da justiça para retirar os ocupantes da área.

A empresa tinha um projeto agropecuário aprovado pela Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia). Os lavradores alegavam ocupar há pelo menos um século a área, que lhes teria sido doada pela antiga Secretaria de Terras do Estado. Criado o conflito, a Corregedoria Geral de Justiça do Pará determinou a suspensão da liminar concedida à empresa.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 30/07/1971

Colonos de Goiás

 Em outubro de 1971, o Incra levou para a Transamazônica os primeiros colonos recrutados em Goiás. O grupo, formado por 10 famílias, com 64 pessoas, saiu de Goiânia para Altamira, no Pará, em dois ônibus. Apenas uma família, entre as inscritas, deixou de comparecer ao embarque.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 07/10/1971

Colonos assentados

Em julho de 1971, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) havia assentado mais de 2.700 famílias de colonos, totalizando 15 mil famílias, às margens da rodovia Transamazônica, no Pará. Gastava em média 500 cruzeiros (valor da época) por cada assentamento. Cada colono recebia como adiantamento, durante os primeiros seis meses, um salário mínimo por mês. Cada lote de 100 hectares custava Cr$ 3,7 mil, que podia ser pago em 30 anos, com cinco de carência.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 22/07/1971

Usina de açúcar na Transamazônica

Em setembro de 1976, entrou em funcionamento a primeira usina de açúcar e álcool da Transamazônica, no município de Altamira, no Pará. A usina Abraham Lincoln, administrada pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), deveria produzir nesse ano seis milhões de litros de álcool anidro e 600 mil sacas de açúcar, beneficiando a terceira safra colhida na região, numa área plantada de 600 hectares. Naquele ano mesmo seriam formados mais 1.200 hectares de plantio.

Fonte: O Estado do Pará (Belém/PA), 17/09/1976