Invasão de terra na Transam

Em 1987, três empresas madeireiras – a Impar, de São Geraldo do Araguaia, no Pará, e a Somil e a Madescan, de Açailândia, no Maranhão – invadiram terras do projeto de colonização Tuerê, localizado na confluência dos municípios paraenses de Itupiranga, Portel e Jacundá, às proximidades da rodovia Transamazônica.

Nessa área, o Incra havia projetado o assentamento de três mil famílias de trabalhadores sem-terra, 800 dos quais tiveram suas glebas desapropriadas pela Eletronorte por se encontrarem na área de inundação da hidrelétrica de Tucuruí.

Fonte: A Província do Pará (Belém/PA), 16-08-1987

O assassinato de Expedito

Expedito Ribeiro de Souza, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria, no sul do Pará, foi assassinado em fevereiro de 1991, a 200 metros da porta da sua casa, na cidade de Rio Maria. Recebeu três tiros de revólver calibre 38, um pelas costas e dois na cabeça. Estava com 43 anos, era casado e tinha nove filhos. Além de ser dirigente sindical, era conhecido como poeta popular.

Os irmãos João e Geraldo de Oliveira Braga, donos de terra, foram acusados como possíveis mandantes, acusação que havia sido feita contra eles por ocasião dos assassinatos de João Canuto e dois de seus filhos, em 1985 e 1990, respectivamente. Mas João Braga disse que já havia vendido sua fazenda, a Sacuí Grande, a Gerdeci, mais conhecido como Dé.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 05-02-1991

 

Posseiros matam fazendeiro

Em setembro de 1993, o fazendeiro Fábio de Abreu foi morto de emboscada por um grupo de posseiros quando inspecionava os limites da sua fazenda, a Mara Azul, em Xinguara, no sul do Pará. O carro que ele dirigia, seguido de um outro, com várias pessoas dentro, foi atacado a tiros. Um deles acertou o fazendeiro na cabeça. José Pereira Rocha, mais conhecido como Pio, foi preso como um dos líderes da emboscada.

Fonte : O Liberal (Belém/PA),  23-09-1993

Vita Lopes condenado

 Julgado pela segunda vez a 15 de maio de 1993, o advogado James Sylvio de Vita Lopes foi novamente condenado a 21 anos de prisão pelo Tribunal do Júri de Ananindeua, no Pará, responsabilizado pelo assassinato do ex-deputado estadual Paulo Fonteles de Lima. A nova sentença repetiu a do julgamento anterior, de março do mesmo ano. A pena teria que ser cumprida em regime fechado.

Fonte: A Província do Pará (Belém/PA) 16-05-1993

Fazendeiro mata político

Em dezembro de 1991, Mauro Monteiro dos Santos, de 39 anos, presidente do diretório municipal do PSB em Paragominas, no Pará, foi morto a tiros pelo fazendeiro Derval Leão. Francisco Nunes de Sousa, outro lavrador, também foi baleado e morto ao tentar proteger Mauro.

O fazendeiro chegou com 12 pistoleiros a um local de sua propriedade, a Fazenda Santa Rita, situada a 52 quilômetros de Paragominas, onde Mauro comandava a abertura de uma estrada vicinal a partir da PA-256, que liga os municípios de Paragominas e Tomé-Açu.

O fazendeiro dizia que essa abertura serviria para a invasão das suas terras e a retirada de madeira. Alegou haver atirado em legítima defesa, porque o grupo estava armado.

Fonte: O Globo (Rio de Janeiro/RJ), 08-12-1991

Quintino enterrado

Armando Oliveira Silva, mais conhecido como Quintino, foi sepultado no dia 13 de janeiro de 1985 na localidade de São José do Piriá, município de Viseu, no Pará. Antes, o corpo passou por várias localidades da região, onde ele atuava como uma espécie de Robin Hood (por isso o chamavam de “gatilheiro”), em defesa de posseiros contra os proprietários de terras, até ser morto pela Polícia Militar.

Mais de 10 mil pessoas viram o corpo de Quintino, moradores de 32 localidades abrangidas pela Gleba Cidapar, um dos mais graves conflitos de terra do Estado. Quintino foi enterrado junto ao túmulo do pai, satisfazendo o desejo da viúva, Helena, dos seus quatro filhos e de dois irmãos, Raimundo e Benedito.

Fonte : O Liberal (Belém/PA), 14-01-1985

Fazendeiros denunciam padre

Em fevereiro de 1983, fazendeiros da região da estrada Pará-Maranhão se reuniram em Castanhal, no Pará, com representantes do governo e de órgãos de informação e segurança para discutir o aumento das invasões de terra nessa região.

Eles acusaram o padre Catel, baseado em Santa Luzia, no quilômetro 47, de incitar as invasões, iniciadas em 1980, quando foi morto o pai do fazendeiro Nilson Alves de Oliveira, num local próximo à Vila Concórdia, em São Domingos do Capim. Em outubro de 1982, foi morto o fazendeiro Cláudio Costa, da fazenda Cambará, e seus herdeiros não conseguiram reocupar a propriedade.

Fonte: A Província do Pará (Belém/PA), 22-02-1983

Posseiros matam filho de fazendeiro

Posseiros emboscaram e mataram o filho do proprietário das fazendas Seleta e Rio Pardo, com dois mil hectares, em Xinguara, no Pará, em agosto de 1984. Adenir Zanela, de 23 anos, e Antônio Varelo, um amigo da família, foram atingidos por disparos de cartucheira, morrendo no local. Luiz Zanela, dono das fazendas, mesmo ferido no braço, conseguiu escapar.

O fazendeiro disse que tentou inutilmente um acordo com os posseiros. Os lavradores acusaram o filho do fazendeiro de ter incendiado a roça de um colono e ter morto alguns animais. Os disparos na emboscada teriam sido feitos pelo posseiro Machado Monteiro, que foi preso.

Outro fazendeiro, Hélio Mário Olsen, com cinco mil hectares em Xinguara, acusou a CPT (Comissão Pastoral da Terra) e o deputado Paulo Fonteles como responsáveis pelas invasões. Olsen disse ter sofrido três emboscadas. Numa delas, um amigo fazendeiro foi morto. Desde então, não voltou a Xinguara. Os dois fazendeiros eram do Paraná.

Fonte: A Província do Pará (Belém/PA), 11-08-1984

Morte de Quintino

Armando Oliveira Silva, o pistoleiro Quintino, foi morto, em janeiro de 1985, com dois tiros, que o atingiram pelas costas. Uma bala entrou pelo lado direito do pescoço e a outra pela região dorsal esquerda. Uma patrulha da Polícia Militar foi quem o matou, no dia 5, na localidade de Vila Nova, município de Ourém, no Pará. O corpo foi enterrado em Capanema, mas, uma semana depois, teve que ser exumado para que o Instituto Médico Legal fizesse a necropsia e definisse a causa da morte.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 13-01-1985

O assassinato de Fonteles

O ex-deputado estadual do PMDB do Pará, Paulo César Fonteles de Lima, foi assassinado aos 42 anos de idade, no dia 11 de junho de 1987. Ele foi atingido por três tiros de revólver, disparados por um homem alto, forte, barbudo, bigode cheio.

O assassino descera de um Fusca, que estacionou atrás do carro onde se encontrava o ex-parlamentar, aguardando o abastecimento de combustível do veículo, no posto Marechal IV, no quilômetro 10 da rodovia BR-316, na área metropolitana de Belém.

Fonteles teve morte imediata e não pôde esboçar qualquer reação porque os tiros, vindos de trás e atingindo-o na cabeça, foram mortais. O autor do disparo e o outro homem, que o aguardava no carro, conseguiram fugir.

Fonte: A Província do Pará (Belém/PA), 17-06-1987