Contrabando apreendido

Em setembro de 1988, a Polícia Federal apreendeu oito quilos de cocaína e 500 mil sacas de café que seriam levados para o Suriname pelos traficantes Carlos Alberto Monteiro dos Santos, o “Carlito Comprido”, e Antônio da Silva Arieiro. Também foram apreendidos dois caminhões e um automóvel Fiat Uno.

A mercadoria estava sendo embarcada no barco Las Vegas I, na Vigia, no litoral do Pará. O barco chamava-se, antes de ser reformado, Iate Maia. O café contrabandeado seria vendido no Suriname por 31 mil dólares. “Carlito Comprido” foi denunciado à PF como tendo transportado, anteriormente, 40 quilos de cocaína e outras mercadorias contrabandeadas.

Fonte: A Província do Pará (Belém), 23-09-1988

Grande apreensão de cocaína

A Polícia Federal efetuou, em julho de 1991, a maior apreensão de cocaína até então ocorrida no Brasil. Foram 554 quilos da droga pura, que era transportada por dois irmãos do deputado federal Jabes Rabelo, seu assessor parlamentar, Abdiel Rabelo, e pelo piloto particular Nobias Pinto Rabelo. Um terceiro homem também foi preso e um quarto conseguiu fugir.

Os 542 pacotes de cocaína, com suásticas negras neles impressas (a marca do Cartel de Cáli), chegaram a Rondônia em um jatinho particular. De lá foram transportadas por terra para São Paulo, onde houve a apreensão. De navio, seguiriam para a Europa.

Abdiel, com várias passagens pela polícia, uma delas por tráfico, mas de pequena monta, era transportador do Cartel de Cáli, a segunda maior organização mundial do tráfico, depois do Cartel de Medellin. De Cali sai 60% da droga vendida nos Estados Unidos e na Europa. Na época, o quilo da cocaína no mercado internacional estava avaliado entre 20 mil e 22 mil dólares.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 11/07/1991)

O transporte de droga

Em janeiro de 1999 a Polícia Federal apreendeu 200 quilos de cocaína em Tabatinga, a 1.100 quilômetros de Manaus, na fronteira do Amazonas com a Colômbia. Em maio do mesmo ano apreendeu mais 118 quilos da droga em Santa Isabel do Rio Negro, a 630 quilômetros de Manaus.

A carga era transportada no barco-recreio Catatau pelos colombianos Manoel Emílio Ospine Herédia e Meher Alimo Escobar, e os brasileiros Luciano Dias Gonçalves, Isaías da Silva Nunes e José Eraldo Duarte, que foram presos. As circunstâncias das duas apreensões levaram a PF a concluir que o transporte de droga pelos rios crescera muito devido ao aumento da fiscalização nos portos e aeroportos principais.

(O Globo, Rio de Janeiro/RJ, 08/05/1999)

Droga: menos controle

Por causa da falta de recursos, agentes e equipamentos, a Polícia Federal decidiu, em abril de 1999, fechar quatro postos de fiscalização na região de fronteira do Estado do Amazonas com os três principais produtores de drogas na América do Sul: Colômbia, Bolívia e Peru. Foram fechados os postos de Lábrea, Tefé, Eirunepé e Borba. Ficaram apenas os postos de Tabatinga e Benjamin Constant.

As fronteiras continentais brasileiras na Amazônia atingem 9.058 quilômetros, a maior parte em plena floresta, Só com a Colômbia, a fronteira se estende por 1.644 quilômetros. Em 1998 os agentes federais conseguiram apreender 600 quilos de cocaína no Estado do Amazonas.

Em março de 1999 um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) que iria para a Europa foi retido em Recife. Dentro dele havia 32 quilos de cocaínas. Foi a primeira apreensão de droga em um avião da FAB. Mas a PF já flagrara soldados da Aeronáutica e do Exército transportando um ou dois quilos de cocaína no trajeto entre Tabatinga, na fronteira com a Colômbia, e Manaus. Até então eram casos isolados.

Com o fechamento das quatro bases, esse controle iria enfraquecer.

(O Globo, Rio de Janeiro/RJ, 25/04/1999)

A justiça e o narcotráfico

Entre 1998 e o início de 1999, 15 traficantes brasileiros, colombianos e peruanos fugiram da prisão, no Amazonas, depois de serem beneficiados pela concessão de regime aberto ou por alvarás de soltura expedidos pelo Tribunal de Justiça do Estado.  De 12 despachos, 9 foram assinados pelo corregedor-geral, desembargador Daniel Ferreira da Silva, beneficiando sempre clientes de três advogados.

Esses fatos levaram a Procuradoria Regional da República e a Polícia Federal a investigar o envolvimento do magistrado na venda de alvarás para traficantes. Um dos casos mais comentados dizia respeito à fuga, em agosto de 1998, dos colombianos Luís Carlos Calcedo e Luiz Miguel Sanches Aidana.

Condenados a quatro anos de prisão em regime fechado pela justiça federal por tráfico internacional de drogas, em março de 1998, fugiram depois de terem sido beneficiados pelo regime de prisão aberto. O alvará foi assinado pelo desembargador Daniel Silva. Sua decisão surpreendeu o Ministério Público: um juiz estadual não pode alterar o regime de prisão estabelecido pela justiça federal.

O corregedor se defendeu alegando ter sido vítima de uma rede de falsificadores de assinaturas. Acusou o chefe da Divisão Judiciária do TJ amazonense, Antônio Carlos Santos dos Reis, de vender alvarás de soltura. Reis retrucou que a acusação era uma calúnia. Maria José Menescal de Vasconcelos era uma das advogadas cujos clientes mais foram beneficiados pelas decisões do desembargador.

(O Globo, Rio de Janeiro/RJ, 30/04/1999)

A Polícia Federal e o tráfico

O orçamento operacional da Polícia Federal para o combate ao narcotráfico na Amazônia foi de quatro milhões de reais em 1998. Do efetivo de 85 agentes da corporação na região, apenas 15 estavam lotados na Delegacia de Repressão aos Entorpecentes (DRE). Para atender as necessidades seria preciso ter  90 homens, segundo o delegado Mauro Spósipo, coordenador da PF para o combate ao narcotráfico, em depoimento à CPI do Narcotráfico da Câmara Federal, em Brasília, em maio de 1999. Dias antes Spósito fora demitido do cargo de superintendente da PF no Amazonas. Ele disse que 740 pistas de pouso já haviam sido cadastradas na Amazônia, das quais 18 foram destruídas pela polícia, por serem clandestinas.

(O Liberal, Belém/PA, 12/05/1999)

Político assassinado em Itaituba

Raimundo Silva de Souza, vereador do PSB (Partido Socialista Brasileiro) de Itaituba, no Pará, foi assassinado com um tiro de cartucheira calibre 20 no dia 26 de julho de 1989, quando saía de sua casa, num bairro da cidade.

Segundo o presidente do partido, o então deputado federal Ademir Andrade, Raimundo teria sido a 40ª pessoa assassinada em seis meses na região por quadrilhas envolvidas com o narcotráfico e a venda ilegal de ouro, que tinham poder e contavam com a cobertura de políticos.

O deputado verificou, numa funerária de Itaituba, no oeste do Estado, uma média mensal de 15 óbitos causados por essas quadrilhas.

(Jornal do Brasil, RJ, 02/08/1989)

Cocaína no Amazonas

Em setembro de 1994 a Polícia Federal apreendeu em Tefé, no Amazonas, 200 quilos de cocaína que estavam dentro de cinco malas, no interior de um avião tipo Cessna, prefixo PT-IHP, de São Paulo, pertencente ao empresário Raimundo Tupã.

No avião foram presos o piloto argentino Raul Boretto e mais Luís Henrique de Oliveira. Boretto disse que a carga fora financiada por Átila Morbach, preso em Belém, juntamente com Tupã. A droga foi adquirida diretamente dos produtores colombianos, mas não pertencia aos cartéis. Iria ser comercializada principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo.

(O Liberal, Belém/PA, 07/10/1994)

Droga no Marajó

Em maio de 1993 a Polícia Federal apreendeu, na Fazenda Santo Onofre, em Cachoeira do Arari, no Pará, 631 quilos de cocaína que seriam transportados para o exterior, na conexão Brasil-Nigéria-França.

Presos os envolvidos, receberam as penas mais elevadas o colombiano Luis Guillermo Escobar, de 15 anos; o dono da Fazenda Santo Onofre, situada na ilha de Marajó, Renato Pereira, de 13 anos; e o coronel reformado da Aeronáutica, Nelson Silva Leite, também de 13 anos.

Receberam ainda condenação do juiz federal Daniel Paes os colombianos Miyer Martinzes e Pablo Cifuentes, à pena de 7 anos. Mas Jacyntho de Castro Júnior foi absolvido, por insuficiência de provas. O Ministério Público Federal recorreu dessa decisão.

(A Província do Pará, Belém/PA, 15/09/1993)

PF no Bico do Papagaio

Em setembro de 1991, a Polícia Federal iniciou, no sul do Pará, a Operação Realeza. Deslocou mais de 100 agentes, com o apoio das polícias civil e militar do Estado, para fazer uma “varredura” na região do Bico do Papagaio, abrangendo ainda o oeste do Maranhão e o norte de Tocantins.

O objetivo era promover o desarmamento na área, cenário de constantes conflitos pela posse de terras. A PF reprimiu também o trabalho escravo e os crimes contra a organização do trabalho, atacou o narcotráfico e investiu contra as milícias particulares, de intensa atuação local.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 29/09/1991)