A justiça e o trabalho escravo

Em novembro de 1991, pela primeira vez o Ministério Público denunciou na justiça proprietários de terras que se utilizavam de trabalho escravo.

Raimundo Pereira da Silva, Raimundo Alves da Costa e Ilson Moreira da Silva foram presos em flagrante por manter 126 pessoas sob regime de trabalho forçado nas fazendas Califórnia e São Carlos, próximas do povoado de Sapucaia, no município de Xinguara, no sul do Pará.

Os dois primeiros, ambos fazendeiros, e o terceiro, comerciante, foram denunciados pela CPT (Comissão Pastoral da Terra) à Procuradoria Geral da República. Ilson mantinha um barracão, para onde os trabalhadores recém-recrutados eram levados. Em dois dias já existia um débito capaz de prender o lavrador e, então, o comerciante entregava os homens aos fazendeiros.

Na maioria dos casos, os salários eram inferiores a um salário mínimo e os lavradores eram obrigados a comprar comida a preços exorbitantes. Os três acusados foram presos.

FONTE: O Liberal (Belém/PA), 15/11/1991

Assassinato de João Batista

Em dezembro de 1990, o fazendeiro e comerciante Jeová de Souza Campos, acusado de ser um dos mandantes do assassinato do deputado João Carlos Batista, do PSB do Pará, foi morto. O assassino era um dos quatro passageiros de um automóvel Gol. No intervalo de quatro horas, o carro esteve duas vezes na Fazenda Santa Helena, de Jeová, no município de Capanema.

Aparentemente, o criminoso era amigo do fazendeiro, que o recebeu com um copo de  cerveja e com ele conversou. Antes de ser morto com seis tiros, desferidos à queima-roupa, Jeová pediu uma caneta a um vaqueiro. Nesse dia ele teria preenchido um cheque de 10 mil cruzeiros.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 27/12/1990

Garimpeiros atacam Carajás

Durante cinco dias, em junho de 1984, os garimpeiros de Serra Pelada fizeram manifestações de protesto e praticaram atos de violência para forçar o governo federal a manter a extração manual de minério na área, no sul do Pará, cujos direitos de lavra pertenciam à Companhia Vale do Rio Doce.

Os garimpeiros tentaram invadir as instalações da empresa na Serra dos Carajás, sendo impedidos por um contingente de 350 homens da Polícia Militar, recrutados às pressas para atender a emergência.

Instalações públicas em Parauapebas, a cidade mais próxima da serra, foram depredadas, como a estação de tratamento de água e as sedes da subprefeitura e da delegacia de polícia. A CVRD calculou os prejuízos em cinco milhões de dólares.

Em Curionópolis, outra cidade próxima, a destruição atingiu oito prédios públicos, quatro particulares e quatro ônibus. No final, o governo aceitou reabrir o garimpo, mas pagando à CVRD indenização em valor então equivalente a 7.723.260 ORTNs, pela “retificação da concessão de lavra” detida pela empresa.

O Liberal (Belém/PA), 13/06/1984

Morte de fazendeiro

Oito posseiros acusados de assassinar o fazendeiro Tarley de Andrade, no dia 1º de dezembro de 1976, em Conceição do Araguaia, no sul do Pará, confessaram para o juiz da comarca, Walton Cezar Bruzdzinski, em março do ano seguinte, terem participado do atentado. As confissões foram feitas por Errol Flyn Barbosa, Raimundo Modesto Teodoro, José Camilo da Silva, Clécio Santana Barbosa, Raimundo Nonato da Silva, Raimundo Serpa Araújo, Raimundo Gama e Gemir Dutra da Silva. Mas nenhum deles esclareceu quem deu o primeiro tiro. Havia ainda outros 16 lavradores denunciados no processo e mais Antônio Bispo, que foi morto.

FONTE: Arquivo pessoal, 1976

Fazendeiro usa pistoleiros

Em 1995, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Pará acusou o fazendeiro capixaba Josélio Barros Carneiro de utilizar pelo menos uma de suas duas fazendas, às proximidades da rodovia Belém-Brasília, para encobrir assassinatos cometidos por pistoleiros a seu mando. Em uma dessas fazendas o delegado João Moraes, da polícia civil, encontrou várias ossadas.

O principal pistoleiro seria o mineiro Aldércio Nunes Leite, procurado em seu Estado de origem por vários crimes, entre os quais a matança de cinco pessoas, em 1990, que ficou conhecido como a chacina de Marcancheta.

Aldércio fugiu para o Pará, sendo contratado por Josélio, juntamente com outro pistoleiro, conhecido como Raí. Eles teriam praticado vários assassinatos nos municípios de Dom Eliseu e Rondon do Pará, onde ficam as fazendas Techagaú e Nova Délhi, de Josélio.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 06/07/1995

Trabalho escravo em Vila Rondon

Seguindo denúncia feita pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura, uma diligência policial constatou a prática de trabalho escravo na fazenda Nova Délhi, no município de Vila Rondon, no Pará, de propriedade de Josélio Carneiro Barros.

Sete peões que foram ouvidos declararam que em quatro anos de trabalho jamais receberam um pagamento. Tinham direito apenas a alimentação. Nunca tiveram acesso a uma prestação de contas sobre quanto deveriam ganhar e quanto deviam. Numa fazenda vizinha, a Techaugau, do mesmo proprietário, a polícia localizou um cemitério clandestino, ossadas e sinais de incineração de corpos cobertos por pneus e plástico preto.

Fonte: O Globo (Rio de Janeiro/RJ), 20/06/1995

Garimpeiros mortos

Em maio de 1965, dois soldados da Polícia Militar feriram a tiros dois garimpeiros no garimpo do Creporizinho, no município de Itaituba, no vale do Tapajós, no Pará. Os garimpeiros ficaram revoltados e exigiram a retirada dos policiais. O garimpo era um dos maiores produtores de ouro da região.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 01/06/65