Violência no Araguaia

Em setembro de 1973, o gerente da Companhia Agropecuária do Rio Araguaia, com fazenda montada em Conceição do Araguaia, no sul do Pará, Aigo Hudson Pires, matou a tiros Francisco de Moura Leite, de 24 anos, na entrada do colégio da cidade, depois de um desentendimento pessoal. O rapaz foi transferido para Brasília e morreu quatro dias depois do baleamento, no Hospital Distrital.

Aigo era responsabilizado por tantas histórias de violência que o advogado do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Conceição do Araguaia, Paulo Botelho de Almeida Prado, admitia não saber distinguir naquela época “as histórias verdadeiras e a lenda de terror”.

Num depoimento prestado em Brasília, citou “torturas, casas de posseiros queimadas, unhas arrancadas e o número de desaparecidos é incontável, sabendo-se apenas que, quando escapam desse campo de concentração, os trabalhadores falam muito pouco da experiência”.

Almeida Prado disse ainda que em 1970 o delegado de Conceição do Araguaia, o tenente reformado da Marinha Pedro Meneses, tentou agir com energia contra esses abusos, mas foi chamado a Belém pelo então governador, Alacid Nunes, que lhe pediu para “maneirar a barra”. O delegado preferiu entregar o cargo.

Fonte : Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 02-08-1973

Uliana assassinado

Um pistoleiro matou o fazendeiro Elias Uliana com seis tiros em frente a uma agência do Bradesco, em Xinguara, no sul do Pará, em junho de 1980. Sem se preocupar em não ser identificado nem temer ser detido, o pistoleiro descarregou seu revólver em Uliana, que era um dos proprietários da Fazenda Reunida Gurupi, em Paragominas, e de uma serraria em Xinguara, onde se encontrava naquele momento. Ele estava tentando identificar os 10 mil metros de mogno que, dizia, tinham sido roubado de suas terras e estariam depositados em madeireiras locais.

Fonte: A Província do Pará (Belém/PA), 03-06-1980

Os pistoleiros na Amazônia

 

Pistoleiros começaram a ser atraídos em grande escala para o Maranhão no início da década de 1960, com a inauguração da rodovia Belém-Brasília. Criadores de Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo e Rio Grande do Sul trouxeram consigo homens rudes e violentos, alguns deles pistoleiros profissionais, para ajudá-los a se estabelecer na terra.

Nos anos 1970 surgiu na Pré-Amazônia maranhense o mais perigoso grileiro e aliciador de pistoleiros, o famoso Pedro Ladeira. Ele foi acusado de haver mandado assassinar dezenas de lavradores na região. Nesse período, os proprietários rurais absorveram pistoleiros nos municípios de Dom Pedro, Tum-Tum, Esperantinópolis, Joselândia, Barra do Corda e Presidente Dutra.

Mas os principais centros eram Imperatriz e Presidente Dutra. De 60 a 70% dos homicidas que se encontravam presos na penitenciária do Maranhão na segunda metade da década de 70 eram oriundos de Imperatriz.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 04-08-1977

Posseiros matam pistoleiros

Em fevereiro de 1980, cinco pistoleiros paranaenses foram mortos em um conflito com 59 posseiros, em Marabá, no Pará. Os pistoleiros teriam sido contratados pelo dono da Fazenda JK, Rui Jacinto, para expulsar os ocupantes da propriedade, mas os lavradores se anteciparam, emboscando os pistoleiros. O fazendeiro possuía títulos provisórios de propriedade da área, que estava sendo demarcada pelo Getat (Grupo Executivo de Terras do Araguaia-Tocantins).

Fonte: O Estado do Pará (Belém/PA), 16-01-1987

Mortos no conflito na ponte

No início de 1988, a Polícia Federal apresentou seu relatório sobre os incidentes ocorridos durante a evacuação dos garimpeiros da ponte sobre o rio Tocantins, no Pará, que eles haviam ocupado durante uma manifestação de protesto. A desocupação foi executada pela Polícia Militar.

A Polícia Federal concluiu que três pessoas morreram no conflito e que outras 93 não retornaram ao garimpo, mas isso não significou que tenham desaparecido ou morrido. Simplesmente deixaram de responder às chamadas feitas pelos garimpeiros em Serra Pelada.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 20-01-1988

Mortes nas fazendas

O fazendeiro Fábio Abreu Vieira, dono da fazenda Mata Azul, em Xinguara, no sul do Pará, e o veterinário Antônio Carlos Stivalle, gerente da fazenda Parreira do Pará, foram mortos em setembro de 1993. A área da fazenda Mata Azul era ocupada por 300 famílias. A polícia foi acusada de praticar arbitrariedades quando caçava os autores das duas mortes.

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) estranhou que a ação policial se tenha baseado num mandado emitido pela juíza de Curionópolis, Rosana Lúcia Canelas Bastos. A jurisdição em Xinguara era exercida pelos juízes de Rio Maria ou de Conceição do Araguaia.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 25-09-1993

Garimpo e crime

No final de 1980, a Polícia Federal do Amazonas estourou os garimpos de Rosa de Maio, Serra Morena e Comandante Peres, que eram controlados pelo garimpeiro Francisco de Assis Moreira, o Zezão. Ele foi preso sob a acusação de contrabando internacional de ouro, tráfico de drogas, exploração de lenocínio e por submeter a regime de escravidão seus trabalhadores, que chegaram a somar três mil.

Quatro americanos – Elaine, John, Michael e Peter – também foram presos. Apenas com vistos de turistas, eles coletavam ouro com máquinas sofisticadas, exportando o metal em pó, mais valorizado nos Estados Unidos (por ser mais puro) do que o ouro em barra.

Zezão confessou à PF, em Manaus, que 28 cadáveres estavam enterrados na cabeceira da pista de pouso do garimpo Rosa de Maio. Ele teria matado dois garimpeiros, mas disse que foi em legítima defesa.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 22-03-1980

PM mata garimpeiros na ponte

Como numa operação de guerra, 340 homens da Polícia Militar do Pará desobstruíram, no dia 29 de dezembro de 1987, a ponte rodoferroviária sobre o rio Tocantins, em Marabá. Na véspera, a ponte foi ocupada por aproximadamente 2.500 garimpeiros, numa manifestação em favor da reabertura do garimpo de Serra Pelada.

O comandante da tropa pediu que os garimpeiros abandonassem a ponte, mas eles decidiram permanecer no local, cantando o hino nacional. Um garimpeiro teria atirado uma pedra e ferido um soldado. Os militares reagiram, a princípio atirando para o ar, mas depois investindo contra a massa.

Oficialmente, foram admitidas apenas duas mortes, embora os manifestantes falassem em dezenas de mortos ou desaparecidos: José dos Santos, de 33 anos, piauiense de Teresina, recebeu um tiro de fuzil nos rins; e um garimpeiro de identidade desconhecida, de cor branca, louro, forte, levou um tiro no pulmão.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 31-07-1985

Assassinato no ar

Em julho de 1985, o radialista Robson José Abade foi morto diante das câmeras da TV Tocantins, em Marabá, que estavam em pleno funcionamento, pelo então delegado de polícia do garimpo de Serra Pelada, Salvador Chamon Sobrinho, irmão do vereador João Chamon Neto.

Robson havia acabado de acusar Chamon de ser desonesto quando o policial, acompanhado de Álvaro Luiz de Oliveira, o Ceará, invadiu o estúdio, discutiu com o radialista e deu-lhe cinco tiros com uma pistola 7.65, matando-o na hora. Depois fugiu, apresentando-se vários dias depois, em Belém.

Fonte: A Província do Pará (Belém/PA), 31-07-1985

O assassinato de Expedito

Expedito Ribeiro de Souza, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria, no sul do Pará, foi assassinado em fevereiro de 1991, a 200 metros da porta da sua casa, na cidade de Rio Maria. Recebeu três tiros de revólver calibre 38, um pelas costas e dois na cabeça. Estava com 43 anos, era casado e tinha nove filhos. Além de ser dirigente sindical, era conhecido como poeta popular.

Os irmãos João e Geraldo de Oliveira Braga, donos de terra, foram acusados como possíveis mandantes, acusação que havia sido feita contra eles por ocasião dos assassinatos de João Canuto e dois de seus filhos, em 1985 e 1990, respectivamente. Mas João Braga disse que já havia vendido sua fazenda, a Sacuí Grande, a Gerdeci, mais conhecido como Dé.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 05-02-1991