Preso Fonteles

Em agosto de 1979, Paulo Fonteles de Lima, advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT), foi preso em São Miguel do Guamá, no Pará, por um sargento da Polícia Militar do Estado. O advogado realizava uma reunião com lavradores de Nova Jacundá, localizada na rodovia PA-150, quando o fazendeiro Brasilino Rodrigues de Souza, com os qual os posseiros estavam em litígio, tentou entrar no local com seu advogado.

Foi então que, segundo Fonteles, apareceu um sargento da PM, juntamente com três soldados, quatro “grileiros” e seis pistoleiros, tentando forçar a abertura da reunião. Ao tentar impedir o ingresso do grupo, Paulo foi preso e permaneceu detido durante uma hora e meia na delegacia, até ser liberado.

Fonte : A Província do Pará (Belém), 16-08-1979

Assassinato de Uliana

O fazendeiro Elias Uliana foi assassinado por um pistoleiro desconhecido, com quatro tiros, em junho de 1980, quando saía de uma agência bancária em Xinguara, no sul do Pará. A morte foi associada a uma vingança pela execução, uma semana antes, do sindicalista Raimundo Ferreira Lima, o Gringo. Mas também as suspeições foram associadas a uma disputa entre madeireiros porque alguns dias antes Uliana denunciou o roubo de 10 mil metros cúbicos de mogno de sua propriedade.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), 04-06-1980

Morte de advogado de posseiros

Em 1982, foi assassinado, em Marabá, o advogado Gabriel Pimenta, que se especializara na defesa de trabalhadores rurais e agricultores. Como suspeitos de terem ordenado o crime ficaram presos, durante 21 dias, os fazendeiros Manoel Cardoso Neto, o Nelito, e José Pereira da Nóbrega, o Marinheiro.

Este último foi solto graças à interferência do então governador da Bahia, Antônio Carlos Magalhães, que comunicou o fato ao ministro da Justiça à época, Ibrahim Abi-Ackel. Marinheiro havia sido correligionário de ACM na Bahia, onde morou durante muitos anos antes de se estabelecer no Pará com duas fazendas. Marinheiro também obteve um habeas corpus na justiça.

Gabriel Pimenta era advogado dos posseiros do castanhal Cametaú, com seis mil hectares, localizado em Itupiranga, que Nelito e Marinheiro tinham comprado em sociedade, em 1980. Depois do assassinato, os dois abandonaram a propriedade.

Fonte : O Liberal (Belém/PA), 21-04-1985

Ataque de garimpeiros

Em março de 1984, garimpeiros invadiram as instalações da mineradora Ouronorte, no igarapé do Cuca, em Tucumã, município de São Félix do Xingu, no Pará. Mataram dois seguranças da empresa com mais de 100 tiros. A firma detinha direitos de lavra sobre 22 mil hectares, para ouro. A notícia da descoberta do metal atraiu levas de garimpeiros. A Ouronorte alegou que a invasão foi planejada por aventureiros, que se faziam passar por garimpeiros.
Fonte : Diário do Pará (Belém), 6 de maio de 1984

Cemitério clandestino em fazenda

Seguindo denúncia feita pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura, uma diligência policial constatou a prática de trabalho escravo na fazenda Nova Délhi, no município de Vila Rondon, no Pará, de propriedade de Josélio Carneiro Barros. Sete peões que foram ouvidos declararam que em quatro anos de trabalho jamais receberam um pagamento.

Tinham direito apenas a alimentação. Jamais tiveram acesso a uma prestação de contas sobre quanto deveriam ganhar e quanto deviam. Numa fazenda vizinha, a Techaugau, do mesmo proprietário, a polícia localizou um cemitério clandestino, ossadas e sinais de incineração de corpos cobertos por pneus e plástico preto.

Fonte: O Globo (Rio de Janeiro/RJ), 20/06/1995

Ex-deputado condenado

Em 1993, o ex-deputado estadual Osvaldo dos Reis Mutran, mais conhecido como Vavá Mutran, foi condenado a nove anos de prisão pela justiça do Pará. Ele foi apontado como o mandante do assassinato de Daniel Lira Mourão, fiscal de tributos da Secretaria da Fazenda do Estado, morto a tiros em sua própria casa, no município de Marabá. Mourão havia se recusado a liberar uma carreta que transportava 20 cabeças de gado, de propriedade de Mutran, usando notas fiscais “frias”. O ex-parlamentar escreveu um bilhete ao fiscal, solicitando a liberação da carreta, mas não foi atendido.

Ao ser condenado, ele foi recolhido ao Hospital da Polícia Militar, em Belém, sob a alegação de sofrer de “cardiopatia hipertensiva”. Cumpriu mais de dois anos da pena no hospital, até ser liberado, em julho de 1995, graças a um indulto concedido pelo Conselho de Política Criminal e Penitenciária do Estado.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 05/07/1995